Tema material
Água
GRI 103-2, 103-3 ODS 6.a, 9.4

Água é de fundamental importância no contexto mundial e também para as nossas operações e, portanto, um dos tópicos materiais que compõem nosso Plano Diretor de Sustentabilidade. Para o gerenciamento do tema, possuímos diretrizes para o uso sustentável do recurso e metas para melhoria contínua, com a intenção de alcançar, até 2025, um percentual de 75% de recirculação e reduzir o uso específico de água nova em todas as operações.

Em Cerro Lindo, por exemplo, toda a água utilizada é proveniente de recirculação ou do mar – o índice de recirculação é de aproximadamente 90%. Apesar de estar a 2,2 mil metros de altitude, a unidade consegue utilizar a água do oceano por possuir uma planta dessalinizadora, que permite extrair o sal por um processo de osmose reversa e bombeá-la por uma distância de 60 quilômetros até a operação. Essa iniciativa, pioneira no Peru no setor de mineração, traz uma solução importante para essa região árida. Também é feito um trabalho com a população para orientar sobre como armazenar a água das chuvas. GRI 303-1 ODS 6.4

Já em Vazante, está em estudo o tratamento da água dos espessadores, que atualmente é lançada conjuntamente com o rejeito na barragem Aroeira. A tecnologia proposta consiste em tratar o sobrenadante para recircular água ao processo.

Em 2018, no âmbito do programa Mining Lab, foram também selecionadas startups para a otimizar a linha de estudos com foco em recirculação. Exemplo são o processo com o potencial de tratar sulfatos de cálcio e magnésio por meio da eletrocoagulação e possibilitar a recirculação de águas/efluentes em unidades do smelter; e o desenvolvimento de novos biofloculantes com capacidade de otimizar os sistemas de tratamento de efluentes atuais em unidades de smelter e mineração.

Gestão hídrica GRI 303-2

Além do desafio para as operações atuais, os novos projetos também nascem com um olhar diferente para a gestão de recursos hídricos, com foco em recirculação de água, onde todos os projetos têm a obrigatoriedade de iniciar suas operações com pelo menos 75% de recirculação, como é o caso de Aripuanã.

No âmbito das diretrizes para gestão de águas destacam-se o desenvolvimento de ferramentas que visam acompanhar o balanço hídrico das unidades, analisar a contabilidade do uso de água de forma periódica e preventiva e identificar o risco hídrico local para definir medidas de controle, mitigação ou contingência.

Como medidas complementares, foram também desenvolvidas iniciativas para aumentar a recirculação e reduzir a captação de água e um Plano Diretor de Medição para otimizar as medições de fluxo de água (vazão) para todas as unidades.

Embasados nas metas que devem ser alcançadas até 2025, os indicadores de percentual de recirculação e uso específico de água nova (m3/t) vêm sendo acompanhados de forma sistemática em um banco de dados corporativo, integrado para toda a empresa em 2018.

No ano de 2018, mantivemos o percentual de recirculação de água em 66%, que considera o volume total de água recirculada em relação a toda a água utilizada no processo, reduzimos o uso específico de água nova para 28 m3/t e avançamos em iniciativas do plano diretor de medição de água.

Realizamos também um diagnóstico das condições de saneamento básico, com foco em acesso à água potável e coleta/tratamento de esgoto doméstico, nos municípios onde possuímos operações no Brasil e no Peru. Esse diagnóstico teve o objetivo de traçar estratégias para o plano de atuação visando ao alcance das metas do ODS 6 (Água potável e saneamento).

Fóruns

Para ampliar as ações de uso sustentável da água, os times corporativos e das operações participaram do 8° Fórum Mundial da Água, o maior evento de discussão sobre o tema no mundo, que aconteceu pela primeira vez no Brasil, na cidade de Brasília.

Também participamos como palestrantes no IV Fórum Latino Americano de Engenharia e Sustentabilidade, promovido pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), em evento que envolveu mais de mil estudantes do Brasil e da América Latina. Abordamos a relevância da padronização de indicadores e avaliação de riscos para a gestão de recursos hídricos em empreendimentos do segmento minerometalúrgico, em uma participação que consideramos relevante para a integração do conhecimento técnico científico e para trazer para os alunos a visão prática da atuação do engenheiro de meio ambiente.

Captação em Vazante ODS 11.6, 15.1

Estamos passando por um período de atenção na região de Vazante, não apenas pela redução do volume de chuvas na bacia do Rio Santa Catarina, o menor das últimas décadas, como pelo fenômeno de dolinamentos, que são abatimentos com ocorrência característica em solos cársticos (ricos em calcário). Por isso, monitoramos rotineiramente a vazão do Rio Santa Catarina, realizamos monitoramentos piezométricos e temos um plano de gestão de riscos dolomíticos. Também apoiamos o estudo que vem sendo realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para avaliar o impacto do secamento do rio na região, trabalho realizado por designação do Ministério Público (MP), em razão de um Termo de Compromisso que firmamos com o MP.

Por representar um dos principais cursos d’água da região, a Unidade Vazante iniciou também um grande projeto de recuperação de nascentes do Rio Santa Catarina, que envolve uma área de 50 mil hectares, com 134 nascentes.

Os trabalhos foram iniciados em maio de 2018, com a realização do diagnóstico da bacia hidrográfica, para levantamentos preliminares dos seus limites, estradas de acesso, cadastro de nascentes e propriedades locais, estado de conservação das nascentes e inventário fotográfico.

O projeto tem a duração inicial prevista de cinco anos, envolvendo a construção de aproximadamente 114 quilômetros de cercas para proteção das nascentes e a instalação de 26 pontos de monitoramento de vazão. Na etapa 1 (2018/2019), priorizamos a recuperação de quatro nascentes formadoras do Córrego Guariroba, um dos principais afluentes do Rio Santa Catarina, com a construção de aproximadamente 6,2 quilômetros de cercas e a instalação de um ponto de monitoramento de vazão.

Retirada de água por fonte GRI 303-3

Descarte ODS 6.3

Um programa de recirculação de água eficiente contribui para garantir não só uma menor captação de água nova, mas também um menor volume de efluentes, reduzindo tanto o risco de um impacto adverso no meio ambiente quanto o custo do tratamento do efluente, que só deve ser descartado após um tratamento adequado, que garanta todos os parâmetros de qualidade exigidos. No ano, destinamos 14,8% das despesas ambientais para o tratamento de efluentes.

Dia do rio GRI 303-1

Em decorrência dos baixos níveis dos reservatórios de água no Brasil, a Agência Nacional da Águas (ANA) propôs uma ação emergencial para a suspensão de um dia de captação no Rio São Francisco, denominado Dia do Rio que vigorou de janeiro a novembro de 2018. Apresentamos. Apresentamos à agência uma alternativa para substituir as paradas semanais por uma redução de 14% da captação durante o mês, acrescida de ações socioambientais. A redução imediata foi de 10%, com redução adicional de 4% ao longo de 60 dias. Dessa forma, atingimos uma média de redução de 24,36% de água captada no rio, de 530m3/h para 401m3/h pela unidade de Três Marias.

Realizamos diversas ações internas e externas para chegar a esse nível de redução, entre elas:

Aumento da recirculação de água na etapa de filtração de zinco;

Manutenção para a eliminação de vazamentos nas áreas produtivas;

Instalação de bicos redutores de vazão em mangueiras usadas na limpeza;

Aumento da periodicidade (de quinzenal para mensal) da limpeza dos escritórios administrativos com uso de mangueira;

Blitz da água, para mapear os pontos de desperdício;

Visitas guiadas de escolas e comunidade local, com distribuição de cartilhas com dicas para economizar água;

Divulgações de conscientização em sites, rádios e jornais sobre o tema.