Tema material
Resíduos
GRI 103-2, 103-3 ODS 9.4, 12.4, 12.5

17 Dado de 2017 recalculado em decorrência de ajustes na forma de cálculo. GRI 102-48

Conscientes de nossa responsabilidade sobre os impactos da geração de resíduos sólidos, vamos além das exigências regulatórias, investindo em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias que nos permitam reduzir a quantidade de resíduos gerados ou transformá-los em produtos secundários, para uso em outras indústrias.

Um dos focos da pesquisa no ano foi o projeto de recuperação de baritina como resíduo da mineração de zinco em Cerro Lindo. Os testes feitos em 2018 resultaram em produção de baritina de alta pureza e densidade e temos a previsão de construção de uma planta de processamento em 2019 (mais informações no capítulo Inovação e Tecnologia).

Posicionamos nossa planta de Juiz de Fora como unidade recicladora de materiais. Atualmente, 24% da produção é proveniente de material secundário (reciclado), composto por Pó de Aciaria Elétrica – PAE (19,8%), óxido de latão (0,3%), óxido Waelz importado (0,3%), pilhas (0,02%) e silicato de baixo teor (0,44%). Nosso mandato estratégico prevê aumentar esse percentual para 33% até 2023 e 40% até 2025.

A mina de Morro Agudo deu continuidade ao projeto de produção de pó calcário agrícola (PCA), com 22% de aumento na produção de Zincal200, produzido a partir do que antes era o resíduo gerado no processo de beneficiamento do zinco depositado em barragens. Para produção do Zincal200, fizemos modificações no processo, possibilitando produzir um corretivo agrícola rico em zinco. Assim, além de corrigir a acidez, nosso calcário também aumenta a produtividade do solo, graças à presença de zinco em sua composição. Esse produto secundário representa hoje uma receita da ordem de U$S 7,4 milhões (ou 12% do resultado da unidade), mas seu maior benefício é o fato de eliminar a necessidade de construção de novas estruturas de contenção, o que significa ganhos tanto ambientais quanto econômicos. GRI 102-2

Em Vazante, firmamos parceria com o Edital Senai Inovação para transformar cádmio e chumbo residuais da operação em produtos secundários por meio de rotas de lixiviação, calcinação e flotação ou, ainda, por combinação de rotas de transformação. Os testes estão em andamento, com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2019.

E no programa Mining Lab 2 também selecionamos uma startup com o foco em avaliar o potencial de conversão de rejeito do smelter em produtos vitrocerâmicos. Esse projeto está em fase inicial (bancada) e será continuado ao longo de 2019.

Em 2018, nossas operações geraram um total de 19,2 milhões de toneladas de resíduos minerometalúrgicos, sendo 67,7% perigosos e 32,3% não perigosos – aumento de 14,1% em comparação ao resultado de 2017. GRI MM3

Aproveitamento de pilhas ODS 9.4

São consumidas cerca de 700 milhões de pilhas anualmente no Brasil, o que corresponde a 2,1 mil toneladas de zinco contido. O descarte incorreto desse material é nocivo ao meio ambiente e à saúde das pessoas e toda iniciativa de recuperação de materiais integrados nas pilhas e correta destinação dos rejeitos é bem-vinda.

Temos recebido na nossa unidade de Juiz de Fora as pilhas coletadas pela Green Electron – Gestora para Logística Reversa de Equipamentos Eletroeletrônicos, fundada em 2016 pela Associação Brasileira da Indústria Nacional de Eletroeletrônicos (Abinee).

Nosso consumo ainda é restrito, com tratamento de apenas 1% do zinco contido em pilhas (ou 76 toneladas). Mas temos estudado formas de ampliar a utilização de pilhas em nossa produção. Para 2019, a meta de dobrar nossa captação para reciclarmos cerca de 200 toneladas de pilhas. A escória do forno onde é processada a pilha é destinada para a indústria do cimento, fechando o ciclo da reciclagem.

Volume de resíduos (mil toneladas) GRI 306-2, MM3

18 Dado de 2017 revisado em decorrência de ajustes na forma de cálculo. GRI 102-48

Gestão de barragens e depósitos de rejeito

A gestão de barragens e depósitos de rejeitos é um dos principais riscos associados à atividade de mineração. Para realizar o controle e monitoramento das nossas 46 barragens e depósitos de rejeito (22 no Brasil e 24 no Peru), aplicamos diretrizes da International Commission on Large Dams (Comissão Internacional de Grandes Barragens).

Atualmente, utilizamos três métodos de disposição de resíduos em nossas operações: barragens, empilhamento a seco (dry stacking) e retorno à mina, preenchendo os espaços de onde foi retirado o mineral (backfill). Para todos os métodos de controle e monitoramento seguimos as legislações vigentes de cada país onde operamos.

Algumas operações podem combinar um ou mais métodos de disposição. Nas unidades de Atacocha, El Porvenir e Cerro Lindo, no Peru, adotamos o sistema backfill, por meio do qual 38% dos rejeitos retornam às minas do Complexo Pasco (Atacocha e EL Porvenir) e 48,7% à mina de Cerro Lindo, na qual parte do resíduo é filtrado, separando a água e os sólidos. A água é recirculada e o rejeito filtrado é enviado às pilhas para serem compactados. Esse mesmo modelo está sendo considerado em novos projetos no Brasil (Aripuanã e Caçapava do Sul).

Demos início ao projeto de disposição de rejeito filtrado na mina de Vazante, que obteve licença de instalação em 2017. Com investimento de US$ 44 milhões, até 2020, a unidade passará a utilizar o método de empilhamento a seco, o que reduz impactos ambientais e riscos à operação.

A gestão das barragens e depósitos de rejeito é um dos tópicos incluídos em nossos processos de gerenciamento de risco de negócio e discutido regularmente nas reuniões executivas, nas quais é apresentado um relatório sobre a estabilidade dessas estruturas. Dispomos de processos e procedimentos que formam o Sistema Integrado de Gestão de Barragens (SIGBar) e um Sistema Integrado de Gestão de Depósitos (SIGDep). Esses dois sistemas são compostos por 12 módulos que estabelecem regras e medidas de ações regulares de monitoramento, a partir dos quais fazemos o controle de todas as estruturas. O SIGBar estabelece diretrizes para gestão dos documentos, dos monitoramentos, da avaliação, análise de riscos, conformidade com normas e legislações, treinamento de pessoal, operação das estruturas e outras disposições.

Esse trabalho é acompanhado permanentemente por uma empresa independente, que recebe dados das inspeções quinzenais e mensalmente consolida os dados de todos os monitoramentos para emitir relatórios de estabilidade. Em 2018, as estruturas que se encontravam inativas foram inseridas no SIGBar para que pudéssemos realizar o acompanhamento de forma efetiva e segura.

Para 2019, temos como meta instalar o sistema de sirene em todas as unidades do Brasil e do Peru. A quantidade de sirenes necessária em cada localidade depende da topografia do local e da zona de autossalvamento caracterizadas no Plano de Atendimento Emergencial (PAE) de cada barragem. Após a instalação das sirenes, serão realizados simulados com as comunidades locais.