Tecnologia, automação e inovação

Buscamos constantemente inovar e nos conectar com o mundo e as tendências. Usamos a tecnologia como viabilizador dos eixos estratégicos de crescimento e excelência operacional, tornando nossa operação mais segura, minimizando desperdícios e otimizando a produção com inteligência. O comprometimento nessa área foi reconhecido pelo anuário Valor Inovação Brasil, que nos destacou como uma das três empresas mais inovadoras na categoria Mineração, Metalurgia e Siderurgia.

Nossos investimentos em pesquisa e desenvolvimento somaram US$ 9,2 milhões em 2018, superando os US$ 8,5 milhões aplicados no ano anterior. Os projetos de inovação são desenvolvidos também com recursos obtidos na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), sendo alguns executados em parceria com outras instituições, como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), com a qual mantínhamos quatro contratos finalizados e 14 ativos no encerramento do ano.

Destacaram-se tecnologias inovadoras para ampliar a recuperação de metais, entre elas a ore sorting, que consiste no uso de equipamentos com sensores que permitem a separação de grandes volumes de estéril em processos a seco. O objetivo é aumentar a vida útil e garantir perpetuidade e sustentabilidade de nossas minas a partir da viabilização de recursos de teor de zinco marginal (ver detalhes na seção sobre ore sorting).

Está em desenvolvimento no Peru o projeto de recuperação de baritina como resíduo da mineração de zinco. Testes de laboratório em escala-piloto resultaram em produção de baritina com alta pureza (acima de 95%) e densidade mais elevada que o próprio mineral obtido na natureza. A baritina é utilizada principalmente na perfuração de petróleo, óleo e gás, na indústria de tintas e revestimentos, remédios, borrachas e plásticos. A próxima etapa é o desenvolvimento do projeto para construir uma planta-piloto com capacidade de obter 100 toneladas de baritina por dia.

Em 2018 também realizamos testes com aditivo de combustível da empresa Teccom em equipamentos móveis da frota de El Porvenir. Os resultados apresentaram uma redução de 7% no consumo de diesel. Em 2019 será replicado para as outras unidades da Nexa Peru com o objetivo de redução do consumo de diesel e consequente diminuição de emissões de GEE.

Recuperação

Temos trabalhado ainda nas tecnologias para recuperação de zinco de rejeitos em Vazante e em Três Marias. Com o reprocessamento de resíduos com teores importantes de metais, conseguimos aumentar o ingresso e a recirculação de zinco nas unidades, melhorando a margem financeira e também a vida útil das minas atuais. Em Vazante, por exemplo, a tecnologia permitirá aumentar a vida útil da mina em quatro anos.

Em 2019, essa tecnologia deve ser implantada também no Peru.

Além dos projetos de ore sorting e recuperação de zinco, temos o Projeto de redução de Cut Off (teor de corte) em Vazante, que possibilitará uma redução de até um ponto percentual dos atuais 4% de zinco por meio de novas tecnologias de processamento mineral e de redução de custo (por meio de ore sorting e novos reagentes de flotação). A redução do Cut Off possibilita recuperar metal, até então impossível de ser processado, possibilitando aumentar a vida útil da mina.

Avançaram projetos de anos anteriores, como a caldeira de biomassa em Três Marias, que reduziu em 30% a emissão de gases de efeito estufa, a desalogenação do óxido Waelz em autoclave e a transformação de escória de forno Waelz em agregado para indústria cimenteira, em Juiz de Fora (mais informações sobre esses projetos em Excelência Operacional).

Ore sorting

Entre os projetos que que consideramos mais promissores em 2018 estão aqueles baseados na tecnologia ore sorting. Amplamente utilizada em outras indústrias, como a de alimentos e de diamantes, a tecnologia foi introduzida recentemente na mineração.

O processo de concentração de minérios por ore sorting é baseado em separação de minério/estéril realizada a seco com granulometrias significativamente mais grosseiras (8 mm a 200 mm) quando comparadas a processos convencionais de concentração mineral (0,1 mm a 1 mm – separação magnética, flotação, etc.), que geralmente são realizados com granulometria fina e a úmido, evitando o intenso uso de água para transporte de massa.

O mecanismo de funcionamento do ore sorter consiste no uso de sensores que identificam diferentes propriedades dos minerais de interesse e de ganga. Durante a passagem do minério pela correia, os sensores do sorter detectam e transmitem informações para saídas de ar a alta pressão que ficam localizadas na parte final do equipamento, logo após o fim da correia. Essas saídas de ar são extremamente precisas e sopram o minério/estéril que foi identificado e selecionado pelo sensor. O sistema contribui para soluções mais econômicas e eficientes na recuperação de materiais.

Realizamos ensaios em escala de bancada e piloto e os estudos evoluíram rapidamente, o que permitiu a instalação de uma planta de ore sorting em Vazante, para ensaios com minério de Vazante, Morro Agudo e Ambrósia Norte.

A tecnologia também está sendo experimentada no Peru. A fim de aproveitar os minerais de médio e baixo teor de metal das áreas de exploração, os testes preliminares de Atacocha e El Porvenir mostram uma remoção média de 50% de minério estéril com uma possível razão de concentração média de 1,5. As operações estão previstas para iniciar em setembro de 2019.

Mining Lab

Em 2018 promovemos a segunda edição do Mining Lab, com 291 projetos inscritos e 20 startups selecionadas. Uma semana antes de as startups selecionadas apresentarem seus projetos presencialmente, passam por acompanhamento de mentores técnicos e de gestão. Os empreendedores formatam a proposta de valor de cada projeto para apresentar à banca, que avalia critérios como viabilidade, alinhamento estratégico, tecnologia, solução e equipe.

A banca, composta por diretores e gerentes-gerais da Nexa de diversas áreas, elegeu nove startups, que receberão investimento financeiro para o desenvolvimento de seus projetos, mentoria semanal de profissionais pelo período de um ano, qualificação em gestão financeira, jurídica e marketing, além de acesso às instalações e às informações técnicas das unidades da Nexa.

Processo Mining Lab

Pioneirismo

Lançado em 2016, o Mining Lab é um programa pioneiro do setor, com o objetivo de relacionar o mundo da mineração e metalurgia ao das startups B2B e de mudar o mindset do setor de mineração, tornando-o cada vez mais inteligente. Além de abrir portas para o desenvolvimento de novas oportunidades aplicadas ao negócio, garante outras vantagens competitivas, pois ganhamos velocidade no desenvolvimento das pesquisas, além de direcionar o nosso investimento de maneira mais estratégica.

A primeira edição da iniciativa foi direcionada apenas para startups brasileiras, que deveriam apresentar soluções em energia renovável e nanotecnologia. O segundo ciclo contou com representantes do Brasil, Canadá, Peru, Chile e Estados Unidos e recursos da ordem de US$ 2,4 milhões em iniciativas de tecnologia nas áreas de automação, Internet das Coisas (IoT)/ TI, logística, economia circular e concentração mineral. ODS 7.A

Além da redução de custos, os projetos proporcionam ganhos ambientais e sociais, como redução de emissões atmosféricas decorrentes de projetos de eficiência energética e energias renováveis, e estímulo à geração de renda nas regiões, com consequentes benefícios para as comunidades do entorno de nossas operações.

Embora seja coordenado pela área de Inovação e Tecnologia, a iniciativa de atuar com startups será aproveitada em diversas áreas da companhia, como em projetos sociais. A partir de 2019, o Mining Lab será um programa contínuo, com desafios que entrarão na plataforma ao longo de todo o ano.

Projetos selecionados no Mining Lab 2 ODS 7.A

Projetos em desenvolvimento ODS 7.A

Dos cinco projetos selecionados no primeiro ano do Mining Lab, três estão em fase de desenvolvimento de piloto industrial e deverão ser implementados em breve. Eles contemplam soluções em energias renováveis, que devem representar reduções significativas no custo de energia. Com ações desenvolvidas no sistema de Três Marias, buscamos o zinco com uma das menores emissões de GEE do mundo. Os projetos selecionados em 2017 referentes a desafios em nanotecnologia não apresentaram resultados aplicáveis em escala industrial.

Biodiesel – Tecnologia da Bchem Solutions transforma óleo vegetal residual, coletado em restaurantes de Minas Gerais, em um biodiesel com alto poder de combustão, para ser utilizado como combustível nos equipamentos de lavra, com baixa produção de resíduos na queima. Dessa forma evita-se que o óleo de cozinha seja descartado no meio ambiente, poluindo rios e o solo, ao mesmo tempo em que se substitui o combustível fóssil tradicionalmente usado na mineração. Em 2018, foi operada a planta-piloto da Bchem e o biodiesel produzido (8 mil litros) no período já foi usado nos motores dos caminhões e caminhonetes da unidade de Vazante.

Gás de resíduos orgânicos – O processo flash dissociation system, da ZEG Environmental, transforma qualquer tipo de resíduo orgânico em gás, e este em vapor, que pode ser usado nos processos industriais, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis (coque e petróleo), que são mais caros e poluentes. O equipamento a ser instalado em Juiz de Fora prevê iniciar a produção em 2020 a partir de eucalipto e lixo urbano.

Combustível de biomassa – Projeto da Bioware Desenvolvimento de Tecnologia de Energia transforma material orgânico (biomassa) em óleo combustível para uso industrial, que pode ser empregado nos fornos que produzem óxido de zinco. O projeto está em fase-piloto e tem como matéria-prima o eucalipto. Além de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, o projeto poderá gerar renda na região com a compra do eucalipto. O desafio para 2019 é a padronização do bio-óleo produzido e monitoramento de seu desempenho nos fornos.

Automação

Em 2018, demos andamento ao Plano Diretor de Automação e Informação (PDAI), de transformação digital de nossas unidades produtivas e de novas unidades. Os projetos dentro de cada área do PDAI – Greenfields, Mina (Digital Mining®), Beneficiamento e Metalurgia avançaram conforme o planejado. Em 2018 foi realizado o PDAI das unidades de Atacocha e El Porvenir e já inseridos projetos a serem iniciados em 2019. Os resultados podem ser conferidos no quadro abaixo:

Plano diretor de automação e informação ODS 7.A, 8.2

Tecnologia da Informação

Dando continuidade ao movimento de conferir à Tecnologia da Informação um papel mais estratégico e transversal na organização, avançamos no caminho da Transformação Digital Nexa, com um planejamento operacional integrado, controlado, de apoio ao processo decisório das diversas áreas e com total segurança dos dados. E nos preparamos para evoluir o ambiente industrial com a PDAI – Indústria 4.0 (Plano Diretor de Automação e Informação) e ambiente corporativo com o Digital Workplace. Para tanto, atuamos em três áreas ao longo do ano:

Gestão de Dados e Inteligência – Intensificamos em 2018 o desenvolvimento do Projeto Enterprise Data Management (EDM), para implementar uma base de dados global e única que dará mais agilidade e permitirá acesso às informações, facilidade na elaboração de relatórios e possibilidade de uso de ferramentas de analytics para inteligência artificial. Todas as áreas serão envolvidas no Projeto EDM, previsto para finalizar em 2021.

Segurança da Informação – Implementamos Programa de Cybersecurity, com várias iniciativas de ponta para mitigar ameaças e vulnerabilidades de sistemas e atender de forma eficaz às diversas auditorias inerentes a uma empresa de capital aberto e, assim, aumentar nosso nível de maturidade em relação à segurança da informação.

Arquitetura Tecnológica – Concluímos a avaliação do parque de TI, bem como de suas aplicações, para identificar as melhores soluções do mercado e proporcionar uma evolução completa dos sistemas, com redução de custos, maior velocidade na entrega de soluções e mitigação de erros e riscos oriundos de decisões isoladas.

User Experience
Criado em 2017, o programa User Experience busca trazer para o ambiente corporativo inovações incrementais a partir de soluções já disponíveis no mercado. Em 2018, levantamos com as unidades de negócio mais de 60 ideias e destacamos as quatro mais avançadas em relação a resultados garantidos para a operação:

Soluções User Experience

PRINCIPAIS PROJETOS DE 2018

PDAI – Indústria 4.0
Programa MES (Manufacturing Execution System) para Três Marias
Automação da produção e digitalização da gestão de laboratório em Vazante
Análise de performance da produção
Expansão do sistema de comunicação
Definição de roadmap estratégico para implementação de redes de alta disponibilidade em minas subterrâneas

Digital Workplace
DHO – otimização dos portais de relacionamento interno
Comercial – implementação da plataforma digital Salesforce
TI – mapeamento de processos e capacidades para transformação digital
Inteligência e mercado – construção de uma base única de dados

Gestão de dados e inteligência
Criação da área e governança de gestão de dados
Jornada do programa gestão de inteligência de dados

Segurança da Informação
Evolução da governança de Cybersecurity alinhada aos novos objetivos Nexa.
Execução do roadmap de segurança da informação para evolução da maturidade.

Arquitetura tecnológica
Execução do roadmap de estratégia de arquitetura de TI
Programa de racionalização de aplicações e servidores
Migração de parque tecnológico para nuvem
Criação do roadmap de arquitetura de redes

Os demais viabilizadores da estratégia – Pessoas e Organização, Suprimentos e Gestão de Riscos – são detalhados nos capítulos Governança corporativa e Desempenho